27 fev 2019

Resiliência: por que esta habilidade será cada vez mais requisitada no mundo corporativo?

O sociólogo Polonês Zigmund Bauman dizia que estamos vivendo em um mundo líquido. Segundo ele, o estresse da incerteza atinge a todos, e até mesmo o efeito aparentemente positivo das novas tecnologias pode ser psicologicamente devastador para as pessoas, já que cada um tem o seu próprio ritmo para lidar com as mudanças. Além disso, a pressão por resultados imediatos cresceu muito nas últimas décadas. Tudo tem de ser instantâneo, apesar do ambiente de trabalho continuar bastante conservador em relação ao modo como lidamos com o erro, com as imperfeições e com a margem de autonomia, sempre pequena.

Para suportar esse tipo de condição existencial, que envelopa quase todas as nossas atividades, as pessoas precisam ser cada vez mais resilientes. E a busca por profissionais com esta habilidade vem sendo apontada como uma das prioridades por entidades como o World Economic Forum, quando o assunto é o futuro do trabalho.

A palavra resiliência vem da física: propriedade que alguns corpos apresentam de retornar à forma original após terem sido submetidos a uma deformação elástica. Mas o termo foi adaptado para aspectos do comportamento humano, com o sentido de capacidade de recobrar facilmente ou se adaptar à má sorte ou às mudanças indesejadas.

Um profissional resiliente é aquele que consegue lidar bem com sua própria dinâmica emocional e mental à medida em que encontra pelo caminho dificuldades, barreiras, impedimentos, críticas justas ou injustas, sem perder o autocontrole, aproveitando essas experiências de sofrimento para aprender as lições técnicas e comportamentais, de tal modo que, quando os ventos voltam a soprar favoravelmente, ele se encontra fortalecido e pronto para continuar avançando, melhor do que nunca com seus projetos.

Quando uma pessoa encontra forças dentro de si mesma para suportar as dificuldades da vida e do trabalho sem entrar em colapso, dizemos que ela aprendeu a se desprender de si mesma, e que, portanto, ela ampliou e aprofundou sua liberdade de consciência. Isso é uma forma moderna de espiritualização. Antigamente, a imagem de uma pessoa espiritualizada era alguém meditando em uma caverna no Nepal. A espiritualidade contemporânea é um teste de serenidade no turbilhão dos acontecimentos às vezes frios e às vezes dramáticos dos corredores de uma empresa.

Com a ascensão da Inteligência Artificial, apontada como a grande inovação do mercado corporativo, temos a oportunidade de desenvolver as habilidades sociais e a espiritualidade dos indivíduos, já que são essas, precisamente, o tipo de habilidades que os robôs não podem assumir. É hora de investir no desenvolvimento e na capacidade emocional das pessoas.  E é exatamente por isso, que penso que deveríamos deixar para trás o nome “recursos humanos” e adotar definitivamente o “desenvolvimento humano” – DH.

*Luciano Alves Meira é fundador da Caminhos Vida Integral.

Conheça o Workshop Resiliência.

Confira o destaque do Workshop Resiliência na Revista HSM.

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.