21 maio 2019

Porque nós acreditamos que a Filosofia é fundamental na busca pelo Desenvolvimento Humano

Quando Thomas Hobbes (1588-1650) afirmou que, “em seu estado de natureza, o homem é um lobo para o homem”, estava pondo em evidência a condição instintiva inicial do fenômeno humano. Nesse estágio, persistia em nós o determinismo do modelo “fuga ou violência”, que, visto do ponto de vista fisiológico, envolve operações pouco conscientes, centralizadas nas estruturas mais primitivas do cérebro: a reptiliana e a mamífera.

René Descartes (1596-1650), contemporâneo de Hobbes, caminhou em outra direção e definiu o ser humano como um ser racional. Descartes foi o primeiro pensador a insistir que “graças a um método, a regras certas e fáceis, o homem está em condições de conquistar por si mesmo, pelas próprias forças, e por um bom uso da razão, o que é verdadeiro”. Se ele estivesse correto, já teríamos hoje demonstrações consistentes da eficácia das funções executivas de nosso córtice pré-frontal. Mas havia uma pedra no caminho da Razão…

Ao brilhante pensador alemão Immanuel Kant (1724-1804), coube a descoberta de que a Razão tem seus limites. As complexas elaborações desse filósofo sistemático, levaram-nos a entender que existem mais obstáculos entre o sujeito que percebe e os objetos de sua percepção do que jamais havia sonhado, até então, a nossa Filosofia. Por isso, já a partir de meados do século XIX, cresceu entre os filósofos a desconfiança nos poderes racionais do homem. Um exemplo dessa desconfiança chegou-nos pelos escritos do também alemão Arthur Schopenhauer (1788-1860). Para ele, o mundo fenomenal é o campo de uma cega, insaciável e maligna vontade metafísica, contra a qual a razão humana não passa de uma chama tênue e impotente. É a vontade, e não a Razão, que governa o Universo e o próprio homem. Vale destacar que Schopenhauer foi um dos grandes influenciadores de Sigmund Freud (1856-1939).

Assim foi que se abriram os caminhos para as concepções irracionais do homem. Pode-se dar a Friedrich Nietzsche (18441900) a coroa de pensador-mor dessa nova categoria. Para ele, o homem teria sido aprisionado artificialmente ao longo dos séculos, numa cela feita de racionalismo artificial e prescrições religiosas excessivas, de tal modo que perdemos, nesse longo processo de adestramento civilizatório, a nossa autêntica e trágica vitalidade. Mas a obra polêmica de Nietzsche é muito mais um trabalho de demolição do passado do que de proposição para o futuro. No fim do século XX, marcado por outros desconstrutivistas que seguiram a tendência de Nietzsche, poderíamos ter ficado num abismo vazio. Se a Filosofia fosse o Titanic, nós, os seus leitores, seríamos comparáveis àqueles náufragos infelizes, abandonados no meio da noite, na imensidão do oceano gelado, sem nenhuma notícia boa, nenhuma esperança à vista.

Felizmente, viveram, igualmente no século XX, pensadores (nem todos filósofos) como Henri Bergson (1859-1941), Karl Jaspers (1883-1969), Teilhard de Chardin (1881-1955), Albert Einstein (1879-1955) e Viktor Frankl (1905-1997), que nos ofereceram plataformas para olharmos para os potenciais humanos com mais esperança.

Luciano Alves Meira é sócio da Caminhos Vida Integral e Editora Vida Integral, idealizador do Workshop Plenitude que já impactou mais de 20 mil pessoas no Brasil e autor do livro “A Segunda Simplicidade: Bem-Estar e Produtividade na Era da Sabedoria”.

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