18 jan 2019

A VISÃO LIMITADA DO CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO

Comparemos duas hipóteses bem distintas:

Caso 1: a pessoa não conhece muito bem seus pontos fortes e nunca pensou sua vida em termos de uma missão auto transcendente. Procura se adaptar ao emprego que consegue numa determinada organização. Esforça-se para fazer um bom trabalho, com base em suas habilidades técnicas, mas não usa seus melhores talentos criativos. Sabe que, no fundo, poderia ser mais feliz e mais produtiva; no entanto, não sabe bem como fazê-lo. Entrega os resultados que a empresa lhe pede, com muito esforço e pouco brilho nos olhos. Vai levando como pode a sua jornada profissional.

Caso 2: a pessoa passa por um excelente processo de autoconhecimento ao longo dos anos. Conhece bem suas forças e talentos, e se orienta por um forte senso de propósito pessoal. Recusa todas as oportunidades que não estão bem alinhadas a seus pontos fortes. Foca as oportunidades que são afins aos seus valores. Paulatinamente, transforma seu trabalho numa causa ou chamado. Usa toda a sua experiência e conhecimento para realizar seus projetos e, por meio deles, devolver à sociedade ao menos uma parcela daquilo que dela recebeu. Alcança níveis de excelência no trabalho e acaba sendo reconhecido pelo muito que fez em sua profissão.

Qual dos dois casos é mais provável de ocorrer no modelo contemporâneo do Capitalismo? Qual dos dois sabemos que é correto e justo?

O que as Organizações ganhariam se se tornassem Escolas de Florescimento?

É importante enfatizar que o desenvolvimento integral inclui o aperfeiçoamento profissional, mas o inverso não é verdadeiro.

O principal fator limitador do modelo atual é simplesmente este: as lideranças ainda não compreenderam que, ao tratar as pessoas como “recursos”, elas também encararão os objetivos organizacionais como coisa fria. Essa é a reciprocidade que engendra o desengajamento, e não pode haver prejuízo maior para as Organizações. Faça as contas: selecionar, contratar, posicionar, capacitar, remunerar e, no fim do dia, não obter o máximo de empenho de um colaborador ou de uma equipe. Quanto custa tudo isso?

Quando terminei de expressar essa ideia numa palestra que dei em Jaguariúna, no interior de São Paulo, um rapaz com seu chapéu de boiadeiro se aproximou e, concordando comigo, afirmou: “Aqui, nóis diz assim: se pensa que nóis sam boi, nóis chifra”.

Aquele homem do campo, na sua simplicidade, já solucionou essa questão tão óbvia. Os grandes senhores do capitalismo ainda não.

O que eu faria se fosse capaz de “reformar” o capitalismo?

Inverteria a sua fórmula. Hoje, o objetivo primário é o crescimento do capital, e o secundário (quando muito) é o desenvolvimento das pessoas. Na verdade, muitos líderes empresariais acham que já fazem muito só porque são capazes de gerar empregos. Ok, cabeças duras, parabéns! Mas eu lhes digo que seriam capazes de fazer muito, muito mais: poderiam colocar suas Organizações a serviço do maior milagre do Universo, o valor máximo que conseguimos encontrar até agora: a evolução da consciência. E não basta fazer alguns “ajustes”. Não sonho com um Capitalismo Humanizado. Sonho com um Humanismo Capitalizado.

O percurso evolutivo do Universo vai da consciência mínima à máxima. Na orquestração cósmica, o papel do ser humano é o de participar, contribuir e zelar pelo desenvolvimento da consciência que está em nós. Não somos proprietários dessa consciência, mas, sim, seus desenvolvedores. Somos os Porta-Consciência. E, se cumprirmos bem nosso papel, ganharemos o justo salário, que virá na forma de bem-estar espiritual ou realização profunda, acompanhado de todos os recursos necessários para que a nossa missão se cumpra bem.

Se os líderes das Organizações compreendessem isso, os resultados cresceriam de modo exponencial, porque não estariam tentando subverter as leis cósmicas, limitando o uso da consciência humana e seus extraordinários predicados a servir o atingimento de mais uma meta trimestral. No sistema atual, as consciências se encontram engarrafadas, os gênios estão presos dentro de lâmpadas. Se apenas tivéssemos a coragem de mudar…

*Luciano Alves Meira é fundador da Caminhos Vida Integral e autor do livro A Segunda Simplicidade.

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