14 jun 2018

O QUE É O ALINHAMENTO EXISTENCIAL?

Quando um carro roda por aí desalinhado, começa a apresentar desgaste excessivo de peças e acabará “dando defeito”.

A analogia com o que se dá no caso do desenvolvimento humano será obviamente imperfeita, porque um carro é um objeto mecânico enquanto um ser humano é um sujeito orgânico, mas é válida se tivermos em mente que se trata apenas de uma analogia.

O que seria o desalinhamento existencial?

Todos nós ganhamos da natureza alguns “gifts” (presentes), que no passado já foram chamados de “dons” e por muitos são considerados “talentos”. Em consonância com os avanços recentes da psicologia do desenvolvimento, classifico esses “gifts” em três categorias:  as forças de caráter, as inteligências e os tipos psicológicos, as mesmas que integramos ao recurso “Jornada do Autoconhecimento”.

O desalinhamento tem início quando uma pessoa não conhece claramente seus “gifts”.

Se não os conhece bem, não os utiliza bem. Se não os utiliza bem, não os desenvolve bem. Se não os desenvolve bem, não se sente estimulada a colocá-los a serviço da sociedade, e, então, o desalinhamento está completo. É somente uma questão de tempo até que a pessoa venha a “dar defeito”. O principal “defeito” que ataca a vida contemporânea, repleta de relativismo, é um agudo sentimento de vazio.

Para ilustrar nosso argumento, vamos analisar o caso de uma mulher de mais de 60 anos que conheci em 2010, trabalhando como garçonete em um restaurante de um hotel simples nos Estados Unidos. Às 5h30 da manhã, ela estava muito alegre, carregando uma jarra de suco de laranja nas mãos, servindo os hóspedes com uma energia de dar inveja à muita gente jovem que no fundo odeia ter de trabalhar. A garçonete cantava e dançava enquanto se movia entre as mesas. Quando chegou à minha, não pude resistir a fazer-lhe esta pergunta: “De onde vem tanta energia?”. A resposta foi surpreendente: “Eu cantei na Broadway. Agora canto enquanto sirvo o café da manhã, mas continuo cumprindo minha missão, que é a de alegrar as pessoas com a minha arte”.

Aquela mulher irradiava os benefícios do seu “alinhamento existencial”. Ela tinha consciência clara de um propósito de vida preenchido por suas forças, inteligências e traços pessoais. Ela sabia porque estava trabalhando, para quem estava trabalhando e como deveria trabalhar. E, com certeza, estava colhendo os frutos deliciosos dessa experiência.

O estresse não decorre de se trabalhar muito… mas de se trabalhar em desalinhamento consigo mesmo. É daí que vem o “desgaste”. A realização pessoal não decorre de se alcançar algum tipo de sucesso socialmente definido, mas sim de se viver por um propósito que desafie o desenvolvimento de nossos talentos pessoais.

Luciano Meira
Cofundador da Caminhos Vida Integral e autor do livro “A Segunda Simplicidade: Bem Estar e Produtividade na Era da Sabedoria”.

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