27 dez 2019

É NECESSÁRIO E URGENTE SEPARAR RELIGIÃO INSTITUCIONAL E POLÍTICA, O QUE NUNCA OCORREU NO BRASIL

É também urgente distinguir Religião institucionalizada de necessidade humana de realização espiritual (espiritualidade).

A Religião institucional está continuamente sujeita ao jogo do poder e à ganância de seus líderes, e nem sempre contribui para que as pessoas se desenvolvam.

A espiritualidade é uma experiência de cada indivíduo, única, irreplicável, geradora de equilíbrio, amorosidade e libertação, que se dá na forma de uma jornada pessoal evolutiva: é o “sal” que tempera e preserva a vida.

Espiritualizar-se, nesse sentido, é um processamento profundo da dimensão subjetiva, o confronto com o vazio interior que engendra plenitudes, de dentro para fora.

A contemplação espiritual está para a inspiração tal qual a ação pragmática está para a expiração. Se precisamos expirar e inspirar continuamente para sobreviver, também precisamos contemplar e agir sempre para viver plenamente.

Para um Ser Humano integral, a espiritualidade é tão real quanto a sexualidade, a emocionalidade e a racionalidade.

Por isso, é legítimo que todos os governos reconheçam a necessidade de experiências transcendentes de seus povos. Os ministérios da saúde, da educação e da cultura deveriam estar atentos a essa necessidade, e empenhados para criar suporte ao processo: se não for para ajudar, ao menos não atrapalhar, com isenção e neutralidade.

Mas a Religião institucional não pode e não deve, de modo algum, influenciar o poder político nas democracias.

No Brasil, durante séculos, a política foi fortemente influenciada pela Igreja Católica, e hoje é cada vez mais influenciada por determinadas lideranças evangélicas.

Vamos ao exemplo mais recente: imagine que o prefeito do Rio de Janeiro quer financiar com dinheiro público um evento “gospel” na virada do ano novo. Como assim?!!!! Então, ato contínuo, os budistas, os judeus, os católicos, os umbandistas e os grupos de tantas outras denominações religiosas terão de ter o seu show financiado pelo Estado também… Para evitar esse tipo de promiscuidade institucional é que os iluministas no século XVIII propuseram um Estado laico, desvinculado das instituições religiosas, sejamos delas simpatizantes ou não.

Luciano Alves Meira – autor de Ser ou Não Ser, nossa dramática encruzilhada evolutiva.

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