21 abr 2017

A educação de que o Brasil precisa

Henry Thoreau afirmava que “a maioria dos homens vive vidas de silencioso desespero”. Outra forma de dizê-lo é que existimos entre parênteses, desperdiçando nossos quase infinitos potenciais sob o impacto das castradoras e imaginárias limitações do destino: a vida é assim mesmo, pensamos, e vamos vivendo.

Um exemplo claro está diante do nosso nariz: o conformismo de grande parte da população brasileira diante dos seus infortúnios. Por que experimentamos passivamente mais de cinco séculos de submissão aos desmandos das classes governantes: “nobres”, líderes religiosos, líderes sindicais, líderes militares, líderes civis, empresários corruptores, líderes de partidos políticos, a lista é grande, cheia daquilo que poderíamos chamar de elite do poder, que de resto não se circunscreve a esta ou aquela orientação partidária ou religiosa. No Brasil, a exploração das massas é pluripartidária e ecumênica.

Ora, essa exploração só é possível porque as massas são ainda deseducadas, mas como essa afirmação já foi feita muitas vezes, cumpre esclarecer o que quero dizer com educação integral.

Alguns pontos estão aqui:

  • Todo brasileiro tem direito a compreender o que são forças de caráter, quais são as suas principais forças e como desenvolver aquelas que lhes permitirão construir uma vida digna, correta, próspera, bela, cheia de significado, sem ter de se sentir refém das vergonhosas e equivocadas elites governantes deste país.
  • Todo brasileiro tem direito a compreender o que são inteligências e quais são as suas principais inteligências e talentos, os talentos que lhes trarão experiências de profunda realização pessoal e profissional, e que lhes permitirão construir legados relevantes para a qualidade de vida das futuras gerações, sem ter de se sentir refém das vergonhosas e equivocadas elites governantes deste país.
  • Todo brasileiro tem direito a compreender o que são os memes de valor, os diferentes níveis de consciência egocêntrica, etnocêntrica, pluralista que atuam como fatores de hipnose coletiva, determinando comportamentos paralisantes que nos impedem de vivenciar nossa plena singularidade, mantendo-nos reféns infantilizados e conflituosos das vergonhosas e equivocadas elites governantes deste país.
  • Todo brasileiro tem direito a conhecer as práticas que facilitam o processo de florescimento de seu próprio potencial. Existem práticas simples, mas que requerem disciplina, que conduzem a uma experiência de profunda libertação e intensa amorosidade: amor e liberdade são atributos humanos que nos pertencem por direito cósmico.
  • Todo brasileiro tem direito à educação para a Transcendência, que significa: sentir-se conectado ao domínio mais íntimo do Eu, o domínio cuja realidade se estabelece para além do tempo e do espaço, ali onde tudo apenas É. Gerir e digerir todas as mudanças a partir da serenidade dessa consciência transcendente, que equivale às profundezas do oceano que não se abalam com a agitação das ondas que estouram na superfície.

Por tudo isso, fica bem claro que não acredito em revoluções sangrentas para virar o jogo do poder no Brasil. Até porque, se chegássemos a esse extremo, quem substituiria a atual elite governante exploradora?  Uma nova elite exploradora?  O que verdadeiramente precisamos é de desenvolvimento de nossos potenciais, evolução muito mais que revolução: tornarmo-nos tudo aquilo que, em potência, já somos! Gandhi pensava assim:

“A diferença entre o que estamos fazendo e o que somos capazes de fazer resolveria todos os problemas do mundo.”

Luciano Meira
Caminhos Vida Integral

1 Comentário

  1. Ola Luciano!
    Assisti o vídeo da entrevista na CBN e achei sensacional.
    Por conta disso, fui no teu site e achei o teu blog a resposta que tenho procurado.
    “Como fazer educação no Brasil?”
    Claro que é muito complexo, mas tem que ter um começo, por menor que seja.
    Por isso, te pergunto? Não tem como começar um projeto piloto que considere o tema como matéria, não que seja opcional, desde o nível básico, pós alfabetização real, numa escola pública ou privada?
    Sei que parece uma terceirização do problema para ti, mas com o teu network não consegues, pelo menos, uma escola que tope e te pague ?
    Seria ótimo e acho que poderia ser um projeto para ganhar dinheiro a longo prazo.
    Se eu tentar e conseguir, posso usar esses teus conceitos?
    Abraços
    Evaristo
    PS: não vou dar parabéns pois acho meio demagógico, mas vou torcer e vou tentar levar a frente esses conceitos, princípios ou seja lá como quiserem chamar,

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